Verdades do Corpo | INCESTO SIMBÓLICO, UM TEMA TABU SEXUAL
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INCESTO SIMBÓLICO, UM TEMA TABU SEXUAL

O incesto simbólico é um fenómeno natural presente na espécie humana, atualmente reconhecido pela comunidade médica e científica.

 

A descoberta deste fenómeno surge através do pai da psicanálise, Sigmund Freud, no livro “Totem e o Tabu” de 1913, sendo posteriormente estudado mais detalhadamente por inúmeros psicólogos, antropólogos e mitólogos tais como Carl Gustav Jung, Joseph Campbell e Salomon Sellam, através de dinâmicas ocultas no impulso sexual e na escolha de parceiros.

 

“No homem existe 1% de humano e o resto é, digamos, animal; isto dá grande margem de território impenetrável.”

Sigmud Freud

 

O impulso sexual é uma resposta neurobiológica que anima a busca de um parceiro de sexo oposto (ou do mesmo sexo) com o propósito em procriar para a expansão da espécie e no estabelecimento de uma família (clã). A necessidade de procriação que está na origem na busca de um parceiro/a é controlado pelo cérebro reptiliano, nomeadamente no tronco cerebral, a mesma zona neuroanatómica responsável pelo comando de outros impulsos mais básicos como a necessidade de oxigénio, água ou alimento.

 

A necessidade sexual é altamente primitiva e totalmente indissociável da nossa natureza como espécie animal. Alguém que afirma que o desejo sexual não é importante é o mesmo que afirmar que o oxigénio é dispensável para viver. A negação total do impulso é derivada de condicionamentos culturais, educacionais e religiosos.

 

 

O QUE É A LEI DO INCESTO?

 

 

A lei do incesto é caracterizada pela proibição da atividade sexual entre membros da mesma família (consanguinidade), sendo esta considerada uma lei universal, embora permeável em certas culturas, tribos, culturas ao longo da história, ou famílias que desejam manter o património restrito aos elementos do mesmo sangue, como por exemplo, a perpetuação da linhagem real.

 

A lei é na realidade uma imposição sociocultural advogando a crença que a consanguinidade (endocruzamento) leva a possíveis transtornos e diminuição da qualidade genética. A religião e o estado mantêm a sua autoridade moral em proibir a consanguinidade, bem como a existência de um conjunto quadro legal que sanciona este ato sexual desviante.

 

Contudo, sem atender a questões éticas e morais que tornam este tema num tabu, em situações extremas de sobrevivência, a lei do incesto poderia ser abolida caso exista uma eminente extinção da espécie. O cérebro arcaico animal está preparado para a possibilidade em procriar com membros da mesma família, estando biologicamente programado para essa mesma solução de sobrevivência. Por essa lógica insofismável, considera-se a lei do incesto um condicionamento cultural, com o objetivo em aumentar a variabilidade genética em época de abundância.

 

 

QUANDO É INTRODUZIDA A LEI DO INCESTO NA ESPÉCIE HUMANA?

 

 

Sexualmente, o ser humano começa a despertar para a curiosidade do sexo oposto nos primeiros anos de existência, sobretudo entre os 3 – 6anos de idade, na chamada Fase Fálica. Embora atualmente este terminologia (fase fálica) seja questionável, Freud teve o mérito de reconhecer a existência de um fenómeno de identificação sexual na criança que escandalizou toda uma sociedade burguesa puritana. O termo fálico subentende fálus (associado ao órgão sexual masculino) foi usado num contexto histórico-cultural do séc. XIX e início do séc. XX, onde prevalecia ideologias sexistas marcadas em todos os setores académicos.

 

A fase fálica é caracterizada pela identificação sexual com o cuidador do mesmo sexo e a atração pelo membro do sexo oposto. Os meninos querem casar com as mães, imitando os comportamentos do pai, e as meninas com os pais, adotando as estratégias de sedução da mãe. Nesta fase, não há um intuito sexual per se, mas sim a ativação do impulso que dá início a um jogo sexual que funcionará como uma estratégia futura para seduzir o objeto de desejo.

 

O homem, por norma, exibe as suas qualidades de força, proteção e estatuto, e a mulher o sentimento, o afeto e a empatia. No jogo de sedução, todas as armas de manipulação são necessárias para captar a atenção do alvo. Esta estratégia de acasalamento existe em todo o reino animal.

 

Uma superação saudável desta fase só ocorre quando o casal se encontra sexualmente alinhado e equilibrado nos seus devidos papeis. O pai, de uma forma assertiva, demonstra ao seu filho que a mãe é a sua mulher, e a mãe demonstra à sua filha que o pai é o seu homem. Esta confrontação com a realidade coloca o impulso sexual da criança alinhado com as crianças da mesma faixa etária, dando ao início de uma exploração do jogo sexual saudável entre pares.

 

 

COMO É ORIGINADO PSICOLOGICAMENTE O INCESTO SIMBÓLICO?

 

 

Quando não existe um equilíbrio sexual entre o casal, a criança será vítima de um jogo de poder entre marido e mulher. A probabilidade da criança sofrer com este fenómeno é maior em casais separados ou que estão a cumprir somente um papel social. Por norma, caso a relação da mãe com o pai seja inexistente ou patologicamente submissa, o filho receberá toda a atenção da mãe para compensar a sua frustração sexual, confundindo o cérebro da criança em múltiplos sentidos. O menino passa a ser o homem da mãe. A figura da mãe será o seu desejo sexual reprimido e futuramente buscará a sua mãe nas mulheres que encontrará no seu caminho. Este fenómeno de ambivalência sexual chama-se de Complexo de Édipo.

 

No caso das meninas, caso exista uma ausência da presença da mãe ou uma mãe castradora, o pai irá “possuir” a menina para si mesmo, obtendo a menina  um privilégio sobre a mãe. Neste caso, o fenómeno é conhecido como Complexo de Eletra. Futuramente, a menina irá procurar o pai em todos os homens.

 

Esta dinâmica relacional fica programada no cérebro reptiliano inconsciente e irá determinar as escolhas de futuros parceiros sexuais. O relacionamento sexual será pautado por sentimentos contraditórios e ambivalentes em relação ao parceiro oposto (ou do mesmo sexo), dando origem a inúmeros conflitos explícitos ou mascarados.

 

 

COMO DETETAR O INCESTO SIMBÓLICO NUMA RELAÇÃO?

 

 

O incesto simbólico pode ser reconhecido e desmontado numa relação, bastando simplesmente reconhecer os sinais que diminui a qualidade de relação sexual entre um casal.

 

“COMO SE ENCONTRA A NOSSA VIDA SEXUAL?”

 

O incesto simbólico tem a função central em evitar o contacto sexual. A lei do incesto é profundamente inconsciente e atua sem estar minimamente consciente do seu efeito.

 

Como se evita o contacto sexual?

 

O corpo monta estratégias para proteger do incesto simbólico e com isso vários disfunções sexuais podem entrar em ação. Muito provavelmente, por detrás das mais diversas desordens ou disfunções no âmbito sexual têm como causa o incesto simbólico.

No entanto, as estratégias de evitação sexual não se esgotam somente nas patologias sexuais.

A evitação pode também ser feita através de sentimentos de repulsa ou desvalorização do ato sexual em si, patologias músculo-esqueléticas que afetam o movimento da zona pélvica, depressão sem causa aparente ou a busca de outros parceiros através de relações extraconjugais.

A infidelidade pode ser uma estratégia de evitação do incesto simbólica, buscando sexo sem condicionamento fora da relação amorosa.

 

 

Em suma, as consequências poderão ser psicossomáticas, relacionais e/ou comportamentais.

 

 

Para detetar o incesto simbólico é vital o casal ter a abertura e a transparência em encarar a qualidade do relacionamento, colocando todas hipóteses em cima da mesa, em vez de cair num estado de negação, evitação ou “morte” do desejo sexual. Cada qual terá que assumir a sua responsabilidade em encarar o problema de frente, sem culpar o outro.

Um casal com um relacionamento saudável não procura atribuir o mau funcionamento ao outro, mas sim compreender que cada qual terá a sua responsabilidade em melhorar.

Os jogos de poder e de ego são estratégias que servem para evitar o reconhecimento do incesto.

 

 

COMO DESPROGRAMAR NO CÉREBRO INCONSCIENTE O FENÓMENO DO INCESTO SIMBÓLICO?

 

 

Após reconhecimento do problema, cada qual terá que dar inicio a um processo terapêutico que pode envolver uma terapia de casal ou individual. Esta escolha cabe ao casal. Em algumas situações, um dos membros evita confrontar-se com a realidade e com a sua incompetência, encontrando todo o tipo de racionalizações e argumentos com o objetivo de evitar o aprofundamento. Quando tal acontece, a responsabilidade recai sobre o elemento mais consciente e capaz em ajudar-se a si mesmo.

 

A terapia acontece quando se define com precisão o problema do casal, iniciando a exploração da árvore genealógica através de ferramentas terapêuticas específicas como terapia psicocorporal, experiência somática, terapia cognitivo-comportamental e constelação familiar.

 

O objetivo central da terapia é “cortar” com imagem da pessoa que está vinculada inconscientemente ao incesto simbólico, que pode ser uma mãe ou um pai, um irmão, irmã, avô, avó, tio, tia, solucionando emocionalmente o conflito que se encontrava ocultada com os respetivos membros (o incesto não é obrigatoriamente com um membro do sexo oposto. Em muitas situações ocorre com membros do mesmo sexo, chamado complexo de Édipo ou Eletra Invertido (Sellam, S, 2018)). Por exemplo, “a minha mulher faz-me lembrar a minha mãe, autoritária e mandona.”; “O meu namorado recorda-me o meu pai, meigo e sensível, mas sem qualquer iniciativa.” Estes exemplos mais corriqueiros são de fácil reconhecimento, contudo o inconsciente pode-nos levar a lugares no passado mais dolorosos e traumáticos.

O incesto simbólico é um fenómeno que coloca em evidência as feridas emocionais do passado e a necessidade em superar as mesmas.

 

 

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DA TERAPIA?

 

 

Os benefícios irão além do esperado. O objetivo é entrar em contato com a história que está por detrás do sintoma, numa ambiente seguro e protegido. A infância é o palco de inúmeras feridas emocionais que ficam gravadas no inconsciente e que se mantém ativadas até serem reconhecidas. Com isso, a pessoa que decide averiguar este tema, terá o benefício em libertar a dor que está associado à sua vida sexual e viver de uma forma mais plena e preenchida.

 

Os efeitos da cura podem ser variados, desde uma melhoria na qualidade da relação ou ganho de uma força extra para terminar com a mesma. Caso a pessoa seja solteira, a resolução do conflito irá torna-la numa pessoa sexualmente disponível, com abertura em explorar toda a vida sexual de uma forma livre, menos condicionada e consciente.

 

A vida sexual é vital para um funcionamento saudável do nosso cérebro pois é responsável por várias funções hormonais, pela qualidade no relacionamento de casal e exploração dos vários prazeres que o jogo de sedução poderá proporcionar no campo social.

 

O maior obstáculo é o tabu em torno do desejo sexual, pervertendo um processo natural e biológico. Livre de condicionamentos e tabus, é possível reconhecer a importância deste tema e entrar em contacto com níveis de prazer e expressão que vão além do campo sexual.

 

 

Marco Sousa,

Psicologia Moderna Integrativa

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