As 4 leis do caos

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O são as 4 Leis do CAOS?

 

 

Para entender o fundamento ontológico e existencial destas leis, necessita-se aprimorar o lugar mental onde permite compreender a mecânica inerente às as leis do Caos, isto é, abrir a mente num estado de Consciência tal, onde a INOCÊNCIA pode entrar no “aqui-e-agora”

 

Sendo o momento em que se foca a atenção nesta leitura, o máximo despojado de julgamento e crítica…

 

Respira profundamente três vezes e somente lê. Se não entender, para novamente, respira e lê…

Experimenta!

 

 

Mas antes de avançar, é fundamental enveredar por este conceito chamado de “INOCÊNCIA”.

 

 

O QUE É “SER INOCENTE” PARA TI?

 

 

No momento que estava a escrever este pequeno parágrafo, uma menina nos seus 4 anos de idade, com uma bata manchada após um dia de diversão, começou subitamente a interagir com sorrisos tímidos. Um momento que me fez desviar a atenção do ecrã e brincar com o seu olhar. Apesar dos protestos da mãe em “meter-se” com um desconhecido barbudo e com brinco, ela não hesitou em respeitar a sua curiosidade e aproximar-se sem qualquer noção de “respeito pelo distanciamento social”.

A menina agiu inocente porque não entende a noção dual do bem e do mal.

Ela vive em função da sua inocente curiosidade e não condena o que não compreende.

Esta qualidade emocional reside “adormecida” na mente inconsciente onde o instinto, prazer e volatilidade são os patronos desta dimensão oculta da nossa misteriosa existência.

 

 

A nossa mente inconsciente é como uma criança inocente, vive através das emoções, do jogo e do prazer, sendo um estado de mente que merece ser reencontrado, “perdido” pelo trauma, pela programação de castas e pela supremacia da Racionalidade. 

 

 

Neste sentido, estas leis deverão ser entendidas neste estado de Inocência (ou o que cada qual entende através da sua lógica ser…) onde a Consciência opera num sentido desapegado e solto.

 

 

Nesta confusão de termos e filtrando todas as gamas de informação enredadas em torno desta qualidade emocional, a Inocência é um estado de consciência onde se partilha uma pureza de perceção com um universo que observa e interatua com os nossos sentidos e pensamentos. Sendo assim, em termo mitológicos, Inocência é a confiança Incondicional na ligação pura com uma “Inteligência Alargada e Espontânea”, um recolher de uma memória ancestral num estado de consciência Unificado, Inseparável e Infinita, que desconhece julgamento e o tempo.

 

 

 

AS LEIS DO CAOS

 

As leis do caos, na realidade carecem de um sentido próprio, no entanto funcionam e levam a resultados visíveis e mensuráveis. Qualquer pessoa pode aplicar estas leis e irá observar a praxis das mesmas. Mesmo que não as pratique conscientemente, verá que elas funcionam de uma forma automática, mesmo sem qualquer esforço aparente.

 

 

1ª Lei

 

“A VERDADE É DIFERENTE PARA TODA A GENTE.”

 

 

Cada verdade tem uma hierarquia de valores e um nível de Verdade, tida como “superior” ou “inferior”, dependendo de quem faz essa análise e juízo. Nesta hierarquia de valores, estabelece-se uma distinção de verdades nas quais se confrontam por um lugar no altar do conhecimento, estando algumas mais próximas do “Alta Autoridade” que outras. Nesta hierarquia de valores e de diferentes verdades, reside a primeira lei do Caos. Se cada qual tem uma Verdade diferente, logo terá que se fazer valer a sua Verdade porque toda a gente a busca numa certa medida. O confronto pela Verdade existe porque a Verdade é diferente para toda a gente.

 

Existindo esta distinção, a Verdade é valorizada em função da sua hierarquia de valor. Aqui reside a força da primeira lei do Caos, pois na realidade, a Verdade é uma experiência individual muito intima e infinitamente subjetiva, logo sendo insensato nivelar as verdades de cada cérebro humano. Cada pessoa entra em contacto com verdade, não em termos de conhecimento, mas de experiência de Consciência. Quem encontra a Verdade, não precisa de a defender ou diferenciar. A pessoa que encontra a Verdade, vive-a em termos do seu estado de consciência. Derivado a esta lei, as ciências e as religiões defendem a sua Verdade e isso leva a um estado puro de caos e separatismo. Em última instância, a Verdade não existe porque ela não pode ser disputada e, uma Verdade disputada não é uma Verdade. Mesmo estas leis não pretendem ser um manual da Verdade. Esta lei pretende ser somente um roteiro que permite libertar da posse da Verdade e que a mesma se encontra em níveis profundos e extensos do inconsciente, impossíveis de serem descodificadas com símbolos linguísticos ou de outra expressão limitada de comunicação humana. Nesse lugar onde se encontra a Verdade, só pode existir uma voz que transcende o tempo e o espaço e que não é passível de ser mensurável.

 

A Verdade é profunda contemplação, sem julgamentos nem hierarquias. Quem afirma o contrário, nada mais está sob a tutela inconsciente desta mesma lei.

 

 

2ª Lei

 

“TODOS PECAM, LOGO MERECEM CASTIGO E ATAQUE.”

 

 

Esta lei tem o verso e o reverso, dependendo do lugar onde se coloca o Pecado ou o “mal”, no outro ou nele próprio. O pecado ou o “mal” será sempre um erro de perceção por mais que se distorce com argumentos morais ou burgueses em torno da noção bipolar entre BEM e MAL. Uma criança que deliberadamente empurra outra contra uma parede no recreio, tem esse comportamento porque, na sua perceção, acredita que exercendo essa força com alguém, de certa forma, vai buscar o seu empoderamento que não tem. Uma criança que agride será má porque querer encontrar o que lhe faz viver e dar sentido à sua desvalorização? Neste erro de perceção, a adulto possuído por esta lei vai reforçar o seu erro, castigando-o com palavras, olhares, gestos ou ausências. Um erro de perceção não necessita de castigo, necessita de compreensão e perdão, nada mais. Esta lei dota o ser-humano de uma incomensurável arrogância ao acreditar que os comportamentos incompreensíveis  merecem ser atacados e destruídos. Essa noção de pecado contamina a mente inocente em compreender as coisas como são, em vez de infligir dor e castigo redondamente desnecessário.

 

A arrogância do EGO que postula esta lei mantém a Inteligência Empática afastada de qualquer forma de perceção mais alargada e inteligente perante os vários erros de conduta que encontramos na pessoa que se encontra ao nosso lado.

 

 

3ª lei

 

“O CAOS É ETERNO.”

 

 

Ao definir CAOS como eterno, coloca o “aqui-e-agora” num estado constante de temor e ansiedade. Perante o exercício da Lei do Caos, qualquer tentativa de alguém permitir-se estar presente no único momento que existe, o “aqui-e-agora”, será inevitavelmente atordoado por pensamentos e um estado de entropia caótica, onde o momento presente se torna num inferno destruidor de mundos. Se assim é, quem quererá se conectar com o potencial inato do inconsciente quando se permite silenciar a sua mente? Como é possível confiar numa mente infinitamente benevolente quando o eterno “aqui-e-agora” é um estado de confusão e miséria constante?  No eterno só pode existir a ordem e inteligência imensurável e, nesta verdade, o EGO procura esconde-la através do temor e do terror.

 

 

 

4ª Lei

 

“SÓ EXISTE VALOR NO QUE É POSSUÍDO.”

 

 

Esta lei transporta uma metamensagem que a nossa Essência mais Íntima é desprovida de Valor. Se é sem valor, logo terá que estar noutro lugar que não na nossa própria Essência. Sob esta lei, o “outro” passa a ser o detentor do valor que alguém sente que lhe está em falta. Assim, se forja os interesses maquiavélicos, as inimizades, guerras e qualquer luta para obter algo que não se tem, sob os mais falsos pretextos. Se eu não tenho o que outro tem (que normalmente é uma experiência emocional mascarada projetada num objeto qualquer), este terá que ser retirado, pois essa pessoa (ou pessoas) esconde/m o que não encontro. Não falta dizer que esta lei leva a inúmeros conflitos pessoais e sociais. Toda forma de loucura, paranoia e psicose são derivações comportamentais desta lei, como bichos enraivecidos que atacam uns contra os outros. Assim cria-se o pretexto do ataque e a criação do complexo de Vitima-Vitimário. No fundo do inconsciente, esta lei autoriza a matança e o assassínio físico e moral porque as carências corpóreas são ausentes de qualquer ética espiritual. Se a pérola que busco está no outro/a, e se funcionamos através desta lei, terei que canibalizar para “incorporar” o que me falta no âmago da minha existência. O há de tanto valor que me obriga a arrancar a ferro e fogo, mesmo que implique aniquilação e extinção? Não será esse ingrediente que se busca, a essência que permeia toda a força presente no tecido quântico do Universo, que unifica toda e qualquer micro e macro partícula conhecida e desconhecida do homem, que chamamos de Amor? Esta substituição de propósito que o Ego cria através desta Lei serve para iludir a realidade última da verdade que se encontra no plano do incognoscível. Somos seres que buscam incessantemente Amor com uma perceção distorcida.

 

 

PARA QUE SERVEM ESTAS LEIS?

 

 

Perante estas leis montadas por um paradigma mental que separa o Espirito da Matéria, e que funcionam de uma forma automática no mecanismo do inconsciente, toda e qualquer forma de ataque perante alguém ou perante o próprio, é nada mais, uma busca Radical de Amor, mesmo que implique matar outro. Para encontrar esse Amor promulgadas por estas leis, inevitavelmente terá de existir um ataque, montando falsos pretextos, alimentando ilusões de todo o tipo.

 

Toda a separação é justificada porque se acredita que temos de “comer Amor” que se julga roubado diante dos nossos olhos. Todos os ataques e suas derivações como ódio, inveja, injustiça, ciúmes, ira, nojo ou outro qualquer estado emocional patológico, mistura-se com a pureza e inocência do Amor.

 

O Caos em torno da experiência de Amor é a base das Leis do CAOS.

 

O funcionamento não consciente destas leis cria todas as espécies de ilusões e separatividades entre os “filhos da terra”, validando toda forma de destruição, canibalismo e supremacia racial.

 

A sua resistência encontra-se exatamente no lugar onde estas foram criadas, isto é, na nossa mente cultural e religiosa. Olhar e reconhecer estas leis implica esvaziar a fonte de alimento que oferecemos a todas as instituições sociais que beneficiam com as mesmas. As intuições, as religiões, os sacerdotes, os académicos, os famosos e outros ídolos que chupam toda energia que estas leis lhe fornecem.

 

 

Qual a melhor forma de transcender estas leis?

 

 

Recordando-as constantemente até ao momento onde a paz e conexão passa a ser um estado habitual da nossa mente e pensamentos, e sobretudo, onde a Mente Espiritual ou Inteligência Universal faça parte da nossa vivência e jamais será propriedade de usurpadores da verdade.

 

 

(AS 4 LEIS DO CAOS foram retiradas do livro  “Um Curso em Milagres”, Foundation of Inner Peace, Cp. 24)

 

 

Marco Sousa, Psicologia Clinica (ordem n.º 9060)

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